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:: Sábado, Outubro 29, 2005 ::
Novos versos
Há tempos eu não tenho um novo verso
e o intento de escrever já se perdeu
no mar do esquecimento em que eu imerso
esqueço que meu verso nem é meu...
Não tenho um verso novo, mas parece
haver dentro de mim algo latente
qual fosse uma canção que se conhece
mas que de modo algum nos vem à mente.
E sempre que esta ausência me acontece
recorro aos velhos versos, pois se diz
que viva a poesia permanece...
E os versos de quem já foi tão feliz
repito - como se novos fizesse
os mesmos velhos versos que já fiz...
: Poeteiro, 1:26 AM [+] :
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:: Domingo, Agosto 07, 2005 ::
A Bomba
Ontem a Bomba fez aniversário
e não havia o que comemorar.
Ninguém explodiu alegremente
e nem a Bomba quis se abrir
(felizmente!)...
A Bomba fez 60 anos!
Eu espero que ela consiga
sua justa aposentadoria
e que continue envelhecendo
até o fim de seus dias
na mais absoluta paz...
: Poeteiro, 11:39 PM [+] :
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:: Quinta-feira, Julho 14, 2005 ::
Perdi o senso
e a mente se desmonta
tal e qual barata tonta
e como louco
me conta o censo!
: Poeteiro, 2:03 AM [+] :
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:: Quarta-feira, Abril 13, 2005 ::
As malas interceptadas desagradam aos fiéis
que temem perder a promoção
da compra de um lote no céu!
: Poeteiro, 1:10 AM [+] :
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:: Domingo, Janeiro 23, 2005 ::
Ondas
Ondas de miséria e desigualdade
varrem todo o globo terrestre
dia após dia
e matam mais do que tsunamis...
Mas não nos importamos
porque não aparece na TV
e já nem é mais notícia!
: Poeteiro, 3:18 PM [+] :
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:: Terça-feira, Dezembro 07, 2004 ::
Sem título
Faz tanto tempo
mas volto ao mesmo ponto
que um dia foi meu porto
e penso
que não me sinto pronto
e nem me sinto morto...
: Poeteiro, 12:25 AM [+] :
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:: Quarta-feira, Setembro 22, 2004 ::
Ego
Apego-me
ao ego
cego
e segador...
Entrego-me
mas nego
e pego-me
em minha dor...
Carrego
meu ego
e cego-me
ao meu amor...
: Poeteiro, 12:26 AM [+] :
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:: Domingo, Agosto 08, 2004 ::
Genes
O gene "tal"
dá forma
à genitália!
Outro avacalha
e deforma
o genital...
: Poeteiro, 3:48 AM [+] :
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:: Sábado, Agosto 07, 2004 ::
Cardiopoética
Minha veia poética não é cava
antes aorta torta e obstruída
antes safena em plena cirurgia
antes infarto do que parto
na difícil escolha pela vida...
E não se iluda o peito ainda pulsante
que onde fluía um dia a verve amor
já nada presta e resta a dor apenas
que silencia a poesia
mas, mesmo morto, o peito sente dor...
Se me deixas
Se me deixas assim como quem fica
não sei viver de tua ausência
que é dentro em mim tudo o que resta
da festa em que vivi quando presente;
a parte mais difícil do esquecer...
Mas não me queixo de que vás...
Minha queixa é saber que não te foste
pois te deixaste tanto em mim
e no fim, partiste e não levaste
a parte mais difícil, que é viver!
Cebolas
Eu sou bulbosa liliácea
assim como meu verso
e das camadas externas membranosas
não há o que dizer...
Porém, se nossas cascas retiradas
provocam ardume em outros olhos
não há o que fazer...
A nova pele exposta seca e vira casca
e a casca retirada mostra a pele
e no ciclo das lágrimas, desvestidos,
eu e meu verso somos quais cebolas
e ao fim de todas as camadas
eu e meu verso
não somos nada!
: Poeteiro, 8:09 PM [+] :
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:: Terça-feira, Julho 27, 2004 ::
Às minhas duas fiéis leitoras:
Socorro!
Acordei em meio ao manto negro da noite
e me vi só, perdido da poesia...
Não sei quando ela me deixou
mas foi embora
sem um bilhete, sem nada,
sequer um poema de adeus!
: Poeteiro, 12:46 AM [+] :
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:: Terça-feira, Junho 01, 2004 ::
Diário
Não é meu diário
e mesmo assim registro
em rude papel reciclado
o que tenha visto
ou tenha amado;
fiz o que pude
de tão cansado...
: Poeteiro, 12:38 AM [+] :
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:: Terça-feira, Maio 18, 2004 ::
(Ainda sem título)
Miro em um céu distante
estrelas antigas
que o tempo esqueceu de apagar!
E o breve brilho em meus olhos
ainda que permanecesse
por mil milhões de vidas
seria menos que um nanossegundo
ante um misero instante do universo!
: Poeteiro, 4:56 AM [+] :
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:: Sexta-feira, Abril 30, 2004 ::
Jihad
Nas areias do deserto
ritos contritos
e atritos
cinco vezes ao dia!
Indulto
Não me sei detento
e me atrevo
a quebrar correntes...
Cansou-me a espera;
aproveito
a ferrugem dos anos...
Não aguardo indulto!
Eu me liberto
e quase me perdôo...
Flora
Do peito a flora
brota
e cresce
entre rochedos;
Do jeito que aflora
parece
cascata
que jorra
e vivifica...
Água cristalina
e flores que me cobrem...
Eu, rocha umedecida,
brilho sob o sol
e até pareço vivo!
: Poeteiro, 3:30 AM [+] :
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:: Domingo, Abril 25, 2004 ::
A poesia
A poesia é feito teia
que aprisiona
a própria aranha...
: Poeteiro, 9:08 PM [+] :
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:: Sábado, Abril 17, 2004 ::
O monge
Um dia
fez-se ele monge
e seguiu o Tao,
mas nem bem seguia
já se sentia o tal
e não foi longe...
Ficou sozinho
no vazio à margem do Caminho!
: Poeteiro, 3:04 PM [+] :
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